O capítulo IV do tomo I (pp. 573-711) da nossa tese doutoral em História da Arte (2024), «Imagens de música na pintura do tempo do Barroco em Portugal (1600-1750)» pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa/Fundação para a Ciência e a Tecnologia[1], é um dicionário de termos musicais em uso no Portugal seiscentista e setecentista. E «Uma espineta pintada de verde com seis pés do mesmo, avaliada em 19$200 réis» é parte desse dicionário, com recurso a fontes primárias documentais, entre elas, os inventários post mortem de onde provém a presente elocução.
Um dos cordofones de teclado elencados nas fontes documentais do século XVIII é, como pudemos cotejar, a espineta, também designada no vernacular por espinheta, que colocamos em diálogo com o corpus primário da nossa investigação: a pintura em Portugal[2]. Concebida como um tríptico, a tese doutoral põe em confronto: as imagens de música levantadas e observadas in situ em colecções privadas e públicas, entre elas museus e casas-museu - um levantamento nacional e exaustivo (volante esquerdo); os objectos reais (instrumentos, notações) sobreviventes à voragem humana e do tempo (painel central); por fim, a sustentação da análise através da terminologia coetânea (volante direito). Concretamente, dissecamos e elencamos cinquenta e seis termos musicais em fontes primárias de arquivo do largo tempo do Proto-Barroco, Barroco e Rococó em Portugal. Vejamos melhor.