No presente texto efectua-se a abordagem de obra que integra o acervo do Museu Nacional de Machado de Castro e que não mereceu até ao presente a atenção da historiografia da arte nacional e internacional. Trata-se de um busto de mármore do papa Bento XIV, o Sumo Pontífice que atribuiu o tão desejado título de Fidelíssimo a D. João V.
Tendo conhecido um percurso atribulado, à semelhança de outras obras de arte no seguimento da expulsão das ordens religiosas, determinada pelo decreto liberal de 1834, a peça integra hoje o acervo do museu de Coimbra.
Propomo-nos assim clarificar as vicissitudes históricas do busto de Bento XIV e proceder ao seu enquadramento no âmbito da produção escultórica romana de Setecentos, procurando contribuir para um mais aprofundado conhecimento do corpus de esculturas do Settecento romano em geral e em Portugal em particular.