No decurso de uma intervenção de conservação e restauro, foi descoberta a assinatura de Joana do Salitre (1711-c.1781) numa pintura a óleo representando Santo Agostinho, feita a partir de uma gravura de Michel Dossier. A assinatura encontrava-se, no verso da pintura, escondida por uma tela de reentelagem, facto que colocou um desafio à intervenção uma vez que a obra necessitava de uma nova reentelagem. Dado que se sabe muito pouco sobre a artista, aproveitou-se esta oportunidade para apresentar uma revisão sistemática dos conhecimentos existentes sobre a mesma. Apesar de ter uma clientela considerável, as suas obras conhecidas são raras e, consequentemente, esta pintura é um significativo contributo para a constituição do seu corpus. A assinatura das obras de Joana do Salitre, como acontece na maioria das suas pinturas conhecidas, revela uma clara consciência autoral feminina numa época de escassa visibilidade das mulheres artistas.