De Sigmund Freud (1856-1939) a Susan Sontag (1933-2004), muitos foram — e continuam a ser — os autores que, ficcional ou academicamente, se debruçam sobre o fenómeno colecionista. Estendendo-se da pueril junção de cromos ou tampas de garrafa ao mais luxuoso colecionismo de carros, levanta-se o eterno debate sobre o que define um colecionador enquanto tal e o que o afasta de um simples acumulador: a sistematização, a quantidade de objetos, as suas tipologias, ou a própria interpretação histórico-cultural?
O número 16 da revista ARTis On procura debruçar-se, de forma mais estrita, sobre aquele que é o ato de colecionar arte, nas suas múltiplas perspetivas, geografias e cronologias. Trata-se, com efeito, de um tema de grande atualidade, mas para o qual a escassez e dispersão arquivística e documental criam profundos entraves.
Dos colecionadores e das coleções, aos seus legados, agentes dos mercados e às fontes para o estudo de proveniências e trajetórias, o tema colecionar arte evidencia-se como profícuo e fundamental para uma melhor compreensão de acervos privados e públicos. Constituem-se, por isso, como repositórios inestimáveis que permitem a reflexão não só acerca dos gostos, motivações, movimentações e interesses daqueles que lhes deram forma, mas também da época em que foram formados e daquela em que os seus destinos foram decididos.