Este artigo aborda o legado de Luís Fernandes no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Discute-se a forma como esta coleção de cerâmica foi incorporada no museu e exposta, bem como a sua gradual dispersão ao longo dos anos. Procuramos explorar como esta trajetória reflete as tensões entre a identidade e o valor emocional da coleção e as perspetivas museológicas de José de Figueiredo e seus sucessores. Argumentamos que, apesar da importância histórica e simbólica deste legado, a sua valorização institucional entrou em conflito com os esforços de modernização do museu. Propomos também uma releitura do percurso deste legado, considerando o papel e o lugar institucional das artes decorativas no MNAA.