O presente contributo pretende efectuar uma primeira reflexão acerca das obras de pintura reconhecíveis nos interiores dos espaços que a embaixada de Portugal em Roma sucessivamente ocupou durante a primeira metade do século XVIII, grosso modo correspondente ao reinado de D. João V (1706-1750).
Com efeito, associado ao palácio ocupado pelo Marquês de Fontes, àqueles habitados pelo Conde das Galveias, passando pela residência do embaixador Fr. José Maria da Fonseca Évora, no convento franciscano de S. Maria in Aracoeli, ao sumptuoso Palazzo dell’Olmo, onde residiu Manuel Pereira de Sampaio, identifica-se um significativo número de obras de pintura que vai conhecendo acrescentos e subtrações, ao longo do tempo.
É objectivo do presente texto empreender, com base na análise de fontes primárias (três inventários e uma listagem de quadros), uma abordagem dessas obras de pintura, discorrendo sobre temáticas, características técnicas e autorias, e reflectindo ainda sobre até que ponto estamos perante uma colecção ou uma não-colecção, ou seja, de uma mera reunião de composições pictóricas destinadas a animar as paredes dos vários ambientes palacianos enunciados.