Eu crio murais que se parecem com azulejos, representando caravelas e muitas características decorativas que podem ser observadas nos revestimentos azulejares tradicionais, mas os meus murais são feitos inteiramente de açúcar. Eu faço azulejos de açúcar e pinto-os com tintas comestíveis.
Interesso-me pelos azulejos, em especial os que apresentam imagens de navios, como símbolo do poder colonial e do orgulho nacional (a nação portuguesa), mas apenas como forma de subversão desse orgulho.
Desenvolvi este trabalho no Brasil, abordando a história de colonização do país e o tráfico de escravos que apoiava o império açucareiro de Portugal.
Continuo a usar a referência azul, mesmo fora do contexto do Brasil, porque quero referir-me à colonização e escravidão, mostrando como a opressão encontrou novas formas. Instalo os meus murais efémeros nas paredes da cidade, onde eles se esvaem, desbotam, desmoronam e decaem, animando uma versão mais realista da história.